Suicídio: aprender a viver

Quem espera que a vida seja feita de ilusão pode até ficar maluco, ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver. Estes versos foram compostos por Roberto e Erasmo Carlos, e a música também foi gravada em 1998 pela banda Titãs.

Saber viver é uma aprendizagem. Nesse ato de aprender, não é possível esquecer-se do sofrimento, da perda, e da própria morte. Lidar com essas situações implica em administrar o desespero, o sofrimento por antecipação, e não permitir que um problema transitório seja considerado interminável, inescapável e intolerável.

Nesse contexto, o comportamento suicida reclama uma atenção especial de todos. O suicídio geralmente é tido como um ato concreto do desamparo que uma pessoa possa sentir. Ele comunica, geralmente, uma dor sentida, mas não consentida. É o cume de um processo de “morrência”, que expressa uma complexidade de atos autodestrutivos que a pessoa estava vivendo.

Há quem esteja totalmente desajustado com o contexto no qual vive e, por isso, não consegue enxergar outra saída a não ser a autodestruição. Ao invés de lidar com as causas externas do problema que a afeta, a pessoa prefere recolher o problema na sua interioridade, a ponto de começar a se autodestruir.

Para prevenir o comportamento suicida é preciso considerar que o sentido da vida é construído em meio aos revezes do cotidiano, lidando com os sentimentos, as fragilidades e as misérias que cada um tem. Entretanto, é indispensável crer que há possibilidade de ressignificar os sentimentos e as formas de interpretar e lidar com os problemas ao longo da vida. Ninguém nasceu para sofrer, mas a dor permite crescer.

O afeto, a amizade, a escuta e a partilha são caminhos para criar redes de apoio e proteção contra o ato suicida. Ninguém quer enfrentar seus medos e preocupações na solidão. Quando alguém se importa, o problema pode ser mitigado. Aproximar, escutar, acolher e amparar: isso é saber viver!